Por: Sarah E.G. de Araújo

Entrevistamos André L. T. Pereira, professor de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo, a respeito da Vênus de Milo.

ATHENA: Em sua opinião o que Vênus estaria segurando em seus braços?

ANDRÉ PEREIRA: É bem possível que estivesse segurando o pomo de ouro, pois ela é uma Afrodite associada ao mito de Paris, e seu julgamento é decidido entre Era, Atenas e Afrodite.

Afrodite ganha o julgamento a favor de Paris, prometendo-lhe casamento com Helena de Tróia, a mulher mais bonita do mundo. Então, se considerarmos que esse seja o momento do mito que se relaciona à Vênus é bem possível que tivesse em suas mãos uma maçã, um pomo de ouro, uma fruta dourada. Ela poderia estar apoiada em um suporte portando a maçã na mão, mas de qualquer forma, ela estaria segurando um objeto, entretanto, há outras possibilidades.

ATHENA: O senhor acredita que ainda seria possível localizar os braços de Vênus?

ANDRÉ PEREIRA: Ah! Isso já é quase que impossível. Teria que ter um trabalho muito minucioso, feito no tempo da descoberta. Pois, a história conta que, quando encontraram a escultura em 1822, Vênus foi desenterrada e ficou incerto o seu destino ou a sua trajetória devido à possibilidade de uma destruição, de uma hipotética batalha entre os franceses os locais, ou um acidente no transbordo da escultura.Vitória de Samotrácia, Louvre

ATHENA: Em sua opinião, seria possível a estátua ter sido feita sem os braços?

ANDRÉ PEREIRA: Não. Acho pouco provável, e a história da arte nos ajuda a corroborar, dada a justificativa para suposição quando a comparamos com outras esculturas de Vênus ou de Afrodite que permaneceram intactas, essas escolhas são feitas, na verdade, a partir de uma série de resoluções formais. Sendo pouco provável que ela tenha sido anexada com os cortes, embora estes tenham uma beleza e a Vênus tenha preservado uma beleza da ruína.

ATHENA: Sabemos que existem outras obras em condições semelhantes à estátua de Vênus. Você poderia citar alguns exemplos?

 

Vênus de Milo

Fonte: Wikipedia

ANDRÉ PEREIRA: Sim. O clássico da história, a Vitória de Samotrácia que não tem o torso, parte daquela estrutura que possui uma asa, temos as linhas dela, mas faltam elementos identificadores muito precisos.

Por isso não temos como identificar as afeições da estrutura, pois é freqüente encontramos apenas pedaços das formas dessas estruturas.

Existe, também, outro caso importante que é o da escultura do Laocoonte, provavelmente, uma cópia romana do período Helenístico. É uma escultura que foi reconstituída no século XVI, e tem associada ao processo de reconstrução, uma figura de Michelangelo. No caso do Laocoonte, se tornou uma opção formal por reconstituir a peça com um gesto de um braço que avança para o alto que na verdade é quase uma ficção, embora esta imagem venha a persistir como uma versão natural do Laocoonte, ela é tanto uma ficção quanto uma resolução formal em um período no qual esta idéia de restauro comportava também esta grande liberdade. A idéia de intervir na escultura é um problema sempre complicado e delicado, variando de período a período.

ATHENA: Com algumas descobertas arqueológicas, pudemos aprender que a existência de cor era uma constante, também em relação às estátuas. Você acredita que no caso desta estátua esta regra também se aplicaria?

É licito que pensemos que ela fosse uma escultura policromada, ou seja, ela não tem essa pureza do mármore branco que nós aprendemos a apreciar, na verdade, a partir do século XVIII e XIX com os trabalhos do Incons, historiador da arte alemã que estuda a escultura antiga, e inclusive nos propõe as exteriorizações dos três primeiros institutos da profissão da escultura antiga. Mas a idéia de uma pureza branca como ela foi reinterpretada no século XVIII e XIX, e quase outra visão do mundo antigo que não corresponde, de fato, ao que a arqueologia nos conta.

ATHENA: Por que as obras da civilização grega foram imortalizadas assim como a estátua da Vênus?

É pelo impacto da qualidade, pois temos um salto significativo de uma definição, que depois começamos a chamar de uma “maneira ocidental de fazer arte” que começou com os gregos, em parte, com a arquitetura e tendo a natureza como parâmetro para construção de um objeto e a beleza como medida da construção do mesmo, ou seja, os valores que empregam a produção dos gregos.

Vênus de Milo

Fonte: Wikipedia

Assim como, a produção a artística romana, ela funciona como um momento fundador, ou seja, fica claro que essa noção, ao longo da história da arte é reafirmada como algo importante.

Há um lugar construído historiograficamente com a história do Plínio, com a história da FAU que depois retomamos no final do século XIV com Petrarca, com Dante, com Bocage e toda a idéia de que o renascimento acontece em função do modelo antigo. Mas também essas esculturas têm uma profunda beleza e, em minha opinião, elas retratam parte de nossa história como o berço de nossa civilização. 

Confira agora esta materia gravada!

A PUC-SP realizou dos dias 18 a 22 de maio de 2009 um seminário interdisciplinar para estudar a casta cultura Greco-romana

Do Individuo

Fonte À Capela

Por Sarah E.G. de Araujo

A organização não governamental Instituto Hypnos promoveu em conjunto com o departamento de Filosofia da PUC-SP, mais um Simpósio Interdisciplinar de Estudos Greco-Romanos.

Este ano o tema foi “Do Individuo”, que foi explorado a partir de vários ângulos e perspectivas. Epicuro, Aristóteles e Platão foram abordados por acadêmicos de diversos cantos do Ocidente; de mestres das Federais de Minas e do Rio Grande do Sul a estudiosos de Lima no Peru, da Velha Bota na Itália e de Bruxelas na Bélgica.

As palestras internacionais tiveram a participação dos mestres: Alejandro Vigo da Universidade Navarra Espanha; Lambros Couloubaritis da Universidade Libre de Bruxelas; Raúl Gutiérrez da Pontifícia Universidade Católica do Peru; Francisco Bravo da Universidade Central de Venezuela e Jorge Martinez Barrera da Pontifícia Universidade Católica do Chile.

Com o tema proposto, divulgaram para a sociedade acadêmica diversos ensaios sobre o indivíduo Helênico.

No Simpósio estiveram presentes discentes de História e Filosofia da PUC-SP, de Teologia do Mosteiro de São Bento-SP e de Letras da UNIFESP-SP.

O Simpósio Interdisciplinar de Estudos Greco-romanos acontece anualmente e posteriormente o Instituto Hypnos faz uma edição especial de sua revista, colocando todo o conteúdo abordado no Simpósio.

A entrada foi franca, exceto para a obtenção do certificado de presença cuja taxa era de R$ 10,00 no ato da inscrição.

O Simpósio Interdisciplinar de Estudos Greco-Romanos aconteceu entre os dias 18 e 22 de maio de 2009 e as conferências e mesas redondas se deram no Tucarena e no auditório 333 da PUC-SP.

 O MASP traz a exposição A Arte do Mito em sua comemoração de 60 anos

 

Pintura Toalete de Vênus

Pintura Toalete de Vênus de Michele Rocca

Por Quezia Fernandes e Sarah E.G. de Araujo 

Quando falamos de arte mitológica logo pensamos em várias esculturas e pinturas de deuses e seres mitológicos. Encontramos pinturas e esculturas que retratam parte da mitologia Greco-Romana em vários cantos do mundo espalhados por museus e galerias, como a Galeria Degli Uffizi na Itália que tem origem por volta de 1560 e é especializada em arte primária, mantendo em seu acervo a pintura da medusa, conhecida como Medusa de Caravaggio e a famosa pintura do Nascimento de Vênus de Botticelli.

Outro exemplo é o Museu do Louvre em Paris com a famosa estátua da Vênus de Milo ou ainda o Museu Arqueológico Nacional de Atenas na Grécia com sua coleção de esculturas mostrando o desenvolvimento da cultura grega em pedra entre os séculos VII a V a. C., com diversas obras-primas, entre outros.

São tantas obras lindas que com certeza temos a curiosidade de ver pelo menos algumas delas, pois elas retratam parte da mitologia Greco-romana.

Assim finalmente em São Paulo temos a oportunidade de apreciar uma exposição sobre a Arte Mitológica no Museu de Arte de São Paulo – MASP. A exposição chama-se A Arte do Mito e tem como curadoria Roberto Magalhães.

Vemos na galeria 49 obras criadas a partir do século XIV sobre a arte Greco-romana como a Toalete de Vênus e O Julgamento de Páris entre outras.

A exposição marca o início dos 12 meses de comemoração dos 60 anos do MASP.

O MASP foi inaugurado em 2 de outubro de 1947 por Assis Chateaubriand, fundador e proprietário dos Diários e Emissoras Associados e pelo professor Pietro Maria Bardi, jornalista e crítico de arte na Itália, recém chegado ao Brasil na época.

 Exposição: A Arte do Mito

MASP – Museu de Arte de São Paulo

Assis Chateaubriand

Av. Paulista, 1578 – Cerqueira César –

São Paulo – SP.

Horário: terça-feira a domingo e feriados,

das 11h às 18h; quinta até 20h.

A bilheteria fecha uma hora antes.

Ingresso: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,00 (estudante),

– gratuito às terças-feiras e diariamente para menores de 10 anos e maiores de 60 anos.

De 21 de julho de 2009 sem previsão de encerramento.

Informações ao público: 11 3251 5644

ou pelo site http://www.masp.art.br

Por: Fabio Fernandes de Lima

Comecemos falando dos aedos, verdadeiras enciclopédias vivas que preparavam-se para ver o oculto, o invisível, a sabedoria e luz dos deuses através da música e da arte. Homero certamente foi o maior dos aedos, ainda que este tenha sido um nome próprio, ou mesmo que esta seja a nomenclatura utilizada para designar um grupo distinto de poetas, torna-se totalmente irrelevante, dada a genialidade das obras atribuídas a este nome. Importante de fato, é o papel que este legado possui até hoje de influenciar a indústria artística e sua segmentada diversidade, sobretudo o Cinema clássico de ficção científica.

Damos o nome de “clássico”  a tudo aquilo que tem seu valor posto à prova pelo tempo, então o que dizer de Homero ?
O cinema sempre teve a literatura (sobretudo a clássica) como fonte de aprendizado, seja colocando na tela suas histórias, seja recriando seu proceder narrativo. Com Homero o cinema “aprendeu a fazer uso do flash-back e da cronologia,” aprendeu também que seus personagens e estilo podem ser adaptados e transferidos para qualquer época, sem perder seu caráter épico.

Foi com adaptações das histórias de ficção científica no início do século XX que o cinema viveu uma revolução, até então nunca experimentada. Escritores como Julio Verne, H. G. Wells, Arthur Conan Doyle e Edgar Allan Poe, tiveram suas obras adaptadas para cinema, dando maior popularidades a esses autores, promovendo a volta de personagens com condutas memoráveis e intervenções de cunho sobrenatural, como era práxis nos escritos épicos gregos.

Podemos propor então um período com intuito de remontar a fase entre o século XIX, quando a consolidação literária dos autores citados tem seu surgimento, e os primeiros 30 anos do século XX, base indiscutível do cinema sci-fi.

Dos anos 30, aos anos 60, filmes, revistas e livros de ficção científica inundaram o mercado americano e europeu, culminando mais tarde na New Wave  da ficção científica, situada entre 1960 e 1980. Desde os anos 80 a ficção científica entrou na fase do Cyberpunk, cujo filme Matrix (1999), baseado na obra de Willian Gibson e dirigido pelos irmãos Wachowiski faz parte. Neste filme temos o herói Neo, intitulado como o “escolhido”, lutando contra uma inteligência artificial que se auto-denomina “a Matriz”,  que aos moldes da épica intervem na ordem das coisas e no destino dos humanos.

Neo carrega peculiaridades que o assemelham aos heróis criados por Homero, suas fraquezas e crenças em diversos momentos nos lembram os feitos de Odisseu, Neo assim como Odisseu, ignorava inicialmente em certos aspectos sua natureza humana, e encarava o sobrenatural com desdém. Como se dá em toda épica de guerra, Neo perde entes queridos e se vê obrigado a compreender que numa guerra não existem vencedores, e tudo aquilo que foge do entendimento limitado do homem deve ser respeitado.

Temos um caso curioso também em Flash Gordon personagem que viaja a um mundo perfeito chamado Mongo, muito similar a Feácia, lugar onde Odisseu se refugia durante sua trajetória na Odisséia. Em Mongo, Flash encontra uma civilização que convive racionalmente num mundo belo e equilibrado. O personagem criado por Alex Raymond em 1934, luta com seus amigos ao lado do príncipe Barin contra o cruel tirano Ming, que tomara o trono do príncipe, apoderou-se da parte mais avançada de seu planeta.

No futuro representado em 1964 na série Jornada nas Estrelas de Gene Roddenberry, a Terra do ano de 2245 é apresentada de uma maneira utopicamente bucólica, despoluída, racional, livre do dinheiro e suas implicações capitalistas, onde quase todos são devotados à pesquisa e a diplomacia com os demais povos do Universo. Nessa Terra livre de preconceitos e unificada em seus propósitos, vemos novamente o retrato de uma Feácia idealizada por Homero. As naus por sua vez são substituídas por gigantescas naves espaciais, onde destaca-se a USS Enterprise, operada por  sua tripulação multi-étnica, onde seus tripulantes obedeciam pragmaticamente as leis da federação.

No filme Guerra dos Mundos, adaptado da história de  H. G. Wells, uma guerra travada entre homens e alienígenas cujo desfecho genial remete seu contexto à épica, sobretudo no que se refere aos modos como uma guerra pode ser vencida de uma forma aparentemente simples. A guerra na história de Wells é vencida pelos humanos, quando de forma imprevista os aliens são infectados com o vírus da gripe (de certa forma inofensivo para os terráqueos, porém letal para sua raça), essa infecção se assemelha a derrocada de Tróia quando o “cavalo de madeira” é recebido inocentemente através de seus “supostos portões intransponíveis”.

Julio Verne, que tornou-se um dos autores mais traduzidos do mundo por conta da repercussão de clássicos como Viagem ao Centro da Terra e Mil Léguas Submarinas, contribuiu enormemente para a criação de inúmeros clichês no universo sci-fi . Seu modo de ambientação riquíssimo em detalhes, tornou-se modelo para as gerações de cineastas que viria mais tarde. Em Viagem ao Centro da Terra, que foi novamente adaptado em 2008, um pesquisador se vê fadado a conviver com civilizações estranhas e criaturas jamais imaginadas, o Odisseu de Homero também se viu em situações semelhantes, quando enfrenta o gigante Ciclope Polifemo, e perde sua tripulação para as criaturas mitológicas Cila e Caríbde.

Em 1978 um cineasta (nessa época iniciante), chamado George Lucas, coloca nas telas aquilo que viria a ser um dos maiores fenômenos cinematográficos de todos os tempos. Após uma série de diálogos com o mitólogo Joseph Campbell, Lucas cria a epopéia moderna mais lucrativa e que conta com a maior legião de fans jamais vista até hoje:

Star Wars, filme que rendeu ainda outros cinco longa-metragens, e um conglomerado de produções, numa gama surpreendente de segmentos como HQs, livros, curta-metragens, desenhos animados e atualmente uma série animada em 3D, sem contar os demais produtos que remetem a franquia. A épica estelar de Lucas conta a história de Anakin Skywalker, um guerreiro monge de uma antiga tradição chamada Jedi (leia-se jedai).

Os Jedi são adeptos da Força, interagindo com a mesma sem tirar proveitos mundanos ou em beneficio próprio. A Força é a energia vital que compõe todos os elementos e é onisciente, onipresente e onipotente. Aqueles que por ventura se apaixonam pela Força buscando alcançar o poder máximo sem qualquer escrúpulo são chamados de Sith, ou adeptos do Lado Negro.

Os Jedi possuem as mesmas atitudes políticas, bem como alguns princípios filosóficos do homem helênico, reúnem-se num conselho deliberativo e defendem uma república. Destacam-se nessa épica espacial figuras fantásticas como o velho monge jedi Yoda, seu pupilo Luke e o Lorde Negro Darth Vader, que numa reviravolta num dos filmes, abandona o Lado Negro da Força para salvar Luke (seu filho) e trazer equilíbrio à Força. É bom lembrar que tais peripécias são semelhantes as correntes peripécias da épica homérica.

Um filme cultuado pelo underground da ficção científica é a Obra-prima de Frank Herbert (1920 – 1986), Duna, tem o embasamento curioso de criar um amálgama entre passado e futuro, futuro esse que se assemelhava a Antiguidade Clássica no que concerne ao emprego de elementos mágicos e maravilhosos. Nesse filme temos desde guildas de navegadores e linhagens da nobreza, até sacerdotes visionários, onde até mesmo o nome Atreydes (semelhante a atreu), designado a uma das tribos do deserto de Duna, parece ter sido “roubado” de Homero.

Poderiam ser citados aqui outros ricos exemplos, mas eles se perdem dada a evolução do cinema e a abrangência do assunto.

Há quem diga que o cinema Sci-Fi é a nova Mitologia. O que se sabe é que isso só poderá ser respondido com clareza, talvez, apenas pelas próximas civilizações, que se verão a cargo de fazer deste julgamento. Mas é certo dizer que a ficção científica cinematográfica interage com as mesmas forças místicas, satíricas e talvez utópicas que a Literatura Clássica nos propôs, e produziu um corpus com inúmeras perspectivas para contar histórias e narrativas que numa busca de imitar os clássicos épicos, acaba por nos conceder muito mais que entretenimento.

Seria essa a nossa forma de dizer :

– Longa vida a Homero !

Por Fabio Fernandes de Lima

Vamos começar falando dos aedos, aqueles que cantavam as histórias na antiguidade, verdadeiras enciclopédias vivas que se preparavam para ver o oculto, o invisível, a sabedoria e luz dos deuses através da música e da arte. Homero certamente foi o maior dos aedos, ainda que este tenha sido um nome próprio, ou mesmo que esta seja a nomenclatura utilizada para designar um grupo distinto de poetas, torna-se totalmente irrelevante dada a genialidade das obras atribuídas a esse nome. Importante de fato, é o papel que este legado possui até hoje de influenciar a indústria artística e sua segmentada diversidade, sobretudo o Cinema clássico de ficção científica.

Damos o nome de “clássico” a tudo aquilo que tem seu valor posto à prova pelo tempo, então o que dizer de Homero?

O cinema sempre teve a literatura (sobretudo a “clássica’) como fonte inspiradora, seja colocando na tela suas histórias, seja recriando seu proceder narrativo. Com Homero o cinema “aprendeu a fazer uso do flashback e da cronologia,” aprendeu também que seus personagens e estilo podem ser adaptados e transferidos para qualquer época, sem perder seu caráter épico.

Matrix

Fonte: omelete.com.br

O filme Matrix (1999), baseado na obra de Willian Gibson e dirigido pelos irmãos Wachowski, faz parte dessa abordagem da repetição de elementos da épica no cinema Sci-Fi. Nesse filme temos o herói Neo, intitulado como o “escolhido”, lutando contra uma inteligência artificial que se autodenomina “a Matriz”, que aos moldes da épica intervem na ordem das coisas e no destino dos humanos, assim como os deuses intervinham. Neo carrega peculiaridades que o assemelham aos heróis criados por Homero, suas fraquezas e crenças em diversos momentos nos lembram os feitos de Odisseu, Neo assim como Odisseu, ignorava inicialmente em certos aspectos sua natureza humana, e encarava o sobrenatural com desdém. Como se dá em toda épica de guerra, Neo perde entes queridos e se vê obrigado a compreender que numa guerra não existem vencedores, e tudo aquilo que foge do entendimento limitado do homem deve ser respeitado.

Star Trek

Fonte: omelete.com.br

Na série Jornada nas Estrelas de Gene Roddenberry, a Terra do ano de 2245 é apresentada de uma maneira utopicamente bucólica, despoluída, racional, livre do dinheiro e suas implicações capitalistas, onde quase todos são devotados à pesquisa e a diplomacia com os demais povos do Universo. Nessa Terra livre de preconceitos e unificada em seus propósitos, vemos novamente o retrato de uma Feácia idealizada por Homero. As naus por sua vez são substituídas por gigantescas naves espaciais, onde se destaca a USS Enterprise, operada por sua tripulação multi-étnica, onde seus tripulantes obedeciam pragmaticamente às leis da federação.

The War Of The Worlds

Fonte: omelete.com.br

No filme A Guerra dos Mundos, adaptado da história de H. G. Wells, uma guerra travada entre homens e alienígenas cujo desfecho genial remete seu contexto à épica, sobretudo no que se refere aos modos como uma guerra pode ser vencida de uma forma aparentemente

simples. A guerra na história de Wells é vencida pelos humanos, quando de forma imprevista os aliens são infectados com o vírus da gripe (praticamente inofensivo para os terráqueos, porém letal para sua raça), essa infecção se assemelha a derrocada de Tróia quando o “cavalo de madeira” é recebido inocentemente através de seus “supostos portões intransponíveis”.

Star Wars

Fonte: omelete.com.br

No ano de 1978 um cineasta (nessa época iniciante), chamado George Lucas, coloca nas telas aquilo que viria a ser um dos maiores fenômenos cinematográficos de todos os tempos. Após uma série de diálogos com o mitólogo Joseph Campbell, Lucas cria a epopéia moderna mais lucrativa e que conta com a maior legião de fãs jamais vista até hoje:

Star Wars, filme que rendeu ainda outros cinco longas-metragens, e um conglomerado de produções, numa gama surpreendente de segmentos como HQs, livros, curtas-metragens, desenhos animados e atualmente uma série animada em 3D, sem contar os demais produtos que remetem a franquia. A épica estelar de Lucas conta a história de Anakin Skywalker, um guerreiro monge de uma antiga tradição chamada Jedi (leia-se jedai). Os Jedi são adeptos da Força, interagindo com a mesma sem tirar proveitos mundanos ou beneficios próprios. A Força é a energia vital que compõe todos os elementos e é onisciente, onipresente e onipotente. Aqueles que por ventura se apaixonam pela Força buscando alcançar o poder máximo sem qualquer escrúpulo são chamados de Sith, ou adeptos do Lado Negro. Os Jedi possuem as mesmas atitudes políticas, bem como alguns princípios filosóficos do homem helênico, reúnem-se num conselho deliberativo e defendem uma república. Destacam-se nessa épica espacial figuras fantásticas como o velho monge

jedi Yoda, seu pupilo Luke e o Lorde Negro Darth Vader. Este último, que dá uma reviravolta em um dos filmes, abandona o Lado Negro da Força para salvar Luke (seu filho) e trazer equilíbrio à Força. É bom lembrar que o elemento da peripécia como nesse caso, é muito semelhante às correntes peripécias da épica homérica.

Dune

Fonte: omelete.com.br

Um filme cultuado pelo underground da ficção científica é a obra-prima de Frank Herbert (1920 – 1986), Duna, tem o embasamento curioso de criar um amálgama entre o passado e o futuro, sendo que esse futuro se assemelhava à Antiguidade Clássica no que concerne ao emprego de elementos mágicos e maravilhosos. Nesse filme temos desde guildas de navegadores e linhagens da nobreza, até sacerdotes visionários, onde até mesmo o nome Atreydes (semelhante à atreu), designado a uma das tribos do deserto de Duna, parece ter sido “roubado” de Homero.

Há quem diga que o cinema Sci-Fi é a nova Mitologia. O que se sabe é que isso só poderá ser respondido com clareza, talvez, apenas pelas próximas civilizações, que se verão a cargo de fazer deste julgamento. Mas é certo dizer que a ficção científica cinematográfica interage com as mesmas forças místicas, satíricas e talvez utópicas que a Literatura Clássica nos propôs, e produziu um corpus com inúmeras perspectivas para contar histórias e narrativas que numa busca de imitar os clássicos épicos, acaba por nos conceder muito mais que entretenimento.

Seria essa a nossa forma de dizer:

Longa vida a Homero!

Ακρόπολη Αθηνών

Por: Ioanna Venieri, arqueóloga

Tradução: Jenifer Lu

 
 
 

Visão Sudoeste de Acrópolis com a encosta

Fonte: odysseus.culture.gr

 

maior e o mais exuberante santuário da antiga Atenas é dedicado principalmente a sua protetora, a deusa Atena. O templo foi construído no século V a.C e domina o centro da cidade no rochoso penhasco conhecido como a Acrópolis, que se localiza a nordeste da colina. As celebrações mitológicas da antiga Atena, seus grandiosos festivais religiosos, os primeiros cultos e diversos eventos decisivos na história da cidade estão relacionados a esse santuário. A Acrópolis se tornou um recinto sagrado no século VIII a.C. com o estabelecimento do culto a Palas Atenas.

Os monumentos do templo foram levantados em harmonia com seus cenários naturais. Estas obras-primas da antiga arquitetura reúnem diferentes ordens e estilos da arte Clássica que influenciou a arte e a cultura por muitos séculos, sendo assim um reflexo preciso do esplendor, poder e riqueza de Atenas em seu apogeu, a Era de Ouro de Péricles.

Uma fortificação foi construída ao redor da colina no século XIII a.C., e desse modo a cidade virou o centro da civilização Micênica. O santuário floresceu com Pisístrato na metade do século VI a.C, quando a Panathinaia, o maior festival religioso da cidade foi estabilizado e as primeiras construções monumentais de Acrópolis erguidas, entre eles o chamado “Templo Velho” e de Hekatompedos, o predecessor do Parthenon, ambos dedicados a Atena. Numerosas oferendas, como objetos de mármore, bronze e estatuetas de terracota, eram dedicadas ao santuário. O rochedo sagrado foi dedicado à deusa Atena, mas sua encosta foi ocupada por vários outros cultos. Inúmeras grutas na encosta setentrional foram usadas como santuários e chegou a ter aproximadamente 1 km de comprimento, o qual ocupou todo o caminho de penhascos até a encosta meridional com diversos templos e outros importantes monumentos. 

Imagem aérea do rochedo de Acrópolis

Fonte: odysseus.culture.gr

 

Por: Fabio Fernandes de Lima

God of War

Fonte: omelete.com.br

Os criadores do jogo são David Jaffe e Cory Barlog, que juntos criaram um verdadeiro Mito dos Games. Com uma história de revirar, literalmente, a Mitologia Grega, em God of War I e II você encarna Kratos, um guerreiro extraordinário que vem escrevendo seu nome na história dos games, e é considerado acima de tudo um clássico, apesar do pouco tempo de existência.

Em God of War I e II, Kratos sacudiu o Olimpo, lutou contra diversos deuses e mostrou que essa coisa de deuses trapaceiros maltratando homens é mito do passado (com ele a coisa fica feia do começo ao fim).

God of War III, próximo e talvez um dos games mais aguardados de todos os tempos será a terceira e para desespero de muitos, a derradeira parte da dramática aventura do “Fantasma de Esparta”.

Parte do apelo da série é sua excepcional construção narrativa, capaz de prender os jogadores desde o primeiro momento, tão bem quanto um excelente livro ou filme. Diferente do que muita gente acredita o jogo não tem previsão alguma para seu lançamento, existem apenas rumores de que poderia sair esse ano.

A história dos jogos é pautada na mitologia clássica sendo que esta foi um pouco modificada. Há muito de mitologia grega na trilogia, na verdade há muitas invenções,senão a do próprio personagem Kratos, que num golpe de mestre usurpa o cargo de seu mentor, o grande deus da guerra Ares. E é claro que tudo ocorreu numa batalha épica e sem precedentes (no fim Ares leva a pior), mas como já temos ciência os deuses são muito melindrosos e Kratos acaba sendo traído posteriormente por ninguém menos que Zeus.

Mesmo distorcendo as histórias mais usuais sobre o mito grego, o jogo consegue agregar uma história envolvente com profundidade e ótimo enredo.

God of War foi a grande aposta da Sony no console da geração passada (o Playstation II), e, por sorte, os proprietários desse magnífico console, puderam desfrutar de um dos games mais empolgantes da história do Video Game. É bem certo que o jogo não vá atrair todo tipo de público, mas consegue, sem dúvida, ser uma grande pedida para a grande maioria dos gamers, isso fica claro quando levamos em conta que os dois primeiros jogos da série venderam juntos mais de 6 milhões de cópias, mostrando ao mundo uma nova forma de ação. Sua jogabilidade espetacular elevou a série God Of War ao topo da preferência dos gamers em geral, e ajudou a transformar o Playstation II numa verdadeira febre mundial. Toda a indústria está aguardando ansiosa por essa nova aventura de Kratos. Imaginar as possibilidades de enredo e o poder gráfico dessa versão para o Playstation III deixa qualquer fã do gênero babando.

Confira! Nós aprovamos!