Por: Sarah E.G. de Araújo

Entrevistamos André L. T. Pereira, professor de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo, a respeito da Vênus de Milo.

ATHENA: Em sua opinião o que Vênus estaria segurando em seus braços?

ANDRÉ PEREIRA: É bem possível que estivesse segurando o pomo de ouro, pois ela é uma Afrodite associada ao mito de Paris, e seu julgamento é decidido entre Era, Atenas e Afrodite.

Afrodite ganha o julgamento a favor de Paris, prometendo-lhe casamento com Helena de Tróia, a mulher mais bonita do mundo. Então, se considerarmos que esse seja o momento do mito que se relaciona à Vênus é bem possível que tivesse em suas mãos uma maçã, um pomo de ouro, uma fruta dourada. Ela poderia estar apoiada em um suporte portando a maçã na mão, mas de qualquer forma, ela estaria segurando um objeto, entretanto, há outras possibilidades.

ATHENA: O senhor acredita que ainda seria possível localizar os braços de Vênus?

ANDRÉ PEREIRA: Ah! Isso já é quase que impossível. Teria que ter um trabalho muito minucioso, feito no tempo da descoberta. Pois, a história conta que, quando encontraram a escultura em 1822, Vênus foi desenterrada e ficou incerto o seu destino ou a sua trajetória devido à possibilidade de uma destruição, de uma hipotética batalha entre os franceses os locais, ou um acidente no transbordo da escultura.Vitória de Samotrácia, Louvre

ATHENA: Em sua opinião, seria possível a estátua ter sido feita sem os braços?

ANDRÉ PEREIRA: Não. Acho pouco provável, e a história da arte nos ajuda a corroborar, dada a justificativa para suposição quando a comparamos com outras esculturas de Vênus ou de Afrodite que permaneceram intactas, essas escolhas são feitas, na verdade, a partir de uma série de resoluções formais. Sendo pouco provável que ela tenha sido anexada com os cortes, embora estes tenham uma beleza e a Vênus tenha preservado uma beleza da ruína.

ATHENA: Sabemos que existem outras obras em condições semelhantes à estátua de Vênus. Você poderia citar alguns exemplos?

 

Vênus de Milo

Fonte: Wikipedia

ANDRÉ PEREIRA: Sim. O clássico da história, a Vitória de Samotrácia que não tem o torso, parte daquela estrutura que possui uma asa, temos as linhas dela, mas faltam elementos identificadores muito precisos.

Por isso não temos como identificar as afeições da estrutura, pois é freqüente encontramos apenas pedaços das formas dessas estruturas.

Existe, também, outro caso importante que é o da escultura do Laocoonte, provavelmente, uma cópia romana do período Helenístico. É uma escultura que foi reconstituída no século XVI, e tem associada ao processo de reconstrução, uma figura de Michelangelo. No caso do Laocoonte, se tornou uma opção formal por reconstituir a peça com um gesto de um braço que avança para o alto que na verdade é quase uma ficção, embora esta imagem venha a persistir como uma versão natural do Laocoonte, ela é tanto uma ficção quanto uma resolução formal em um período no qual esta idéia de restauro comportava também esta grande liberdade. A idéia de intervir na escultura é um problema sempre complicado e delicado, variando de período a período.

ATHENA: Com algumas descobertas arqueológicas, pudemos aprender que a existência de cor era uma constante, também em relação às estátuas. Você acredita que no caso desta estátua esta regra também se aplicaria?

É licito que pensemos que ela fosse uma escultura policromada, ou seja, ela não tem essa pureza do mármore branco que nós aprendemos a apreciar, na verdade, a partir do século XVIII e XIX com os trabalhos do Incons, historiador da arte alemã que estuda a escultura antiga, e inclusive nos propõe as exteriorizações dos três primeiros institutos da profissão da escultura antiga. Mas a idéia de uma pureza branca como ela foi reinterpretada no século XVIII e XIX, e quase outra visão do mundo antigo que não corresponde, de fato, ao que a arqueologia nos conta.

ATHENA: Por que as obras da civilização grega foram imortalizadas assim como a estátua da Vênus?

É pelo impacto da qualidade, pois temos um salto significativo de uma definição, que depois começamos a chamar de uma “maneira ocidental de fazer arte” que começou com os gregos, em parte, com a arquitetura e tendo a natureza como parâmetro para construção de um objeto e a beleza como medida da construção do mesmo, ou seja, os valores que empregam a produção dos gregos.

Vênus de Milo

Fonte: Wikipedia

Assim como, a produção a artística romana, ela funciona como um momento fundador, ou seja, fica claro que essa noção, ao longo da história da arte é reafirmada como algo importante.

Há um lugar construído historiograficamente com a história do Plínio, com a história da FAU que depois retomamos no final do século XIV com Petrarca, com Dante, com Bocage e toda a idéia de que o renascimento acontece em função do modelo antigo. Mas também essas esculturas têm uma profunda beleza e, em minha opinião, elas retratam parte de nossa história como o berço de nossa civilização. 

Confira agora esta materia gravada!

 O MASP traz a exposição A Arte do Mito em sua comemoração de 60 anos

 

Pintura Toalete de Vênus

Pintura Toalete de Vênus de Michele Rocca

Por Quezia Fernandes e Sarah E.G. de Araujo 

Quando falamos de arte mitológica logo pensamos em várias esculturas e pinturas de deuses e seres mitológicos. Encontramos pinturas e esculturas que retratam parte da mitologia Greco-Romana em vários cantos do mundo espalhados por museus e galerias, como a Galeria Degli Uffizi na Itália que tem origem por volta de 1560 e é especializada em arte primária, mantendo em seu acervo a pintura da medusa, conhecida como Medusa de Caravaggio e a famosa pintura do Nascimento de Vênus de Botticelli.

Outro exemplo é o Museu do Louvre em Paris com a famosa estátua da Vênus de Milo ou ainda o Museu Arqueológico Nacional de Atenas na Grécia com sua coleção de esculturas mostrando o desenvolvimento da cultura grega em pedra entre os séculos VII a V a. C., com diversas obras-primas, entre outros.

São tantas obras lindas que com certeza temos a curiosidade de ver pelo menos algumas delas, pois elas retratam parte da mitologia Greco-romana.

Assim finalmente em São Paulo temos a oportunidade de apreciar uma exposição sobre a Arte Mitológica no Museu de Arte de São Paulo – MASP. A exposição chama-se A Arte do Mito e tem como curadoria Roberto Magalhães.

Vemos na galeria 49 obras criadas a partir do século XIV sobre a arte Greco-romana como a Toalete de Vênus e O Julgamento de Páris entre outras.

A exposição marca o início dos 12 meses de comemoração dos 60 anos do MASP.

O MASP foi inaugurado em 2 de outubro de 1947 por Assis Chateaubriand, fundador e proprietário dos Diários e Emissoras Associados e pelo professor Pietro Maria Bardi, jornalista e crítico de arte na Itália, recém chegado ao Brasil na época.

 Exposição: A Arte do Mito

MASP – Museu de Arte de São Paulo

Assis Chateaubriand

Av. Paulista, 1578 – Cerqueira César –

São Paulo – SP.

Horário: terça-feira a domingo e feriados,

das 11h às 18h; quinta até 20h.

A bilheteria fecha uma hora antes.

Ingresso: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,00 (estudante),

– gratuito às terças-feiras e diariamente para menores de 10 anos e maiores de 60 anos.

De 21 de julho de 2009 sem previsão de encerramento.

Informações ao público: 11 3251 5644

ou pelo site http://www.masp.art.br

Ακρόπολη Αθηνών

Por: Ioanna Venieri, arqueóloga

Tradução: Jenifer Lu

 
 
 

Visão Sudoeste de Acrópolis com a encosta

Fonte: odysseus.culture.gr

 

maior e o mais exuberante santuário da antiga Atenas é dedicado principalmente a sua protetora, a deusa Atena. O templo foi construído no século V a.C e domina o centro da cidade no rochoso penhasco conhecido como a Acrópolis, que se localiza a nordeste da colina. As celebrações mitológicas da antiga Atena, seus grandiosos festivais religiosos, os primeiros cultos e diversos eventos decisivos na história da cidade estão relacionados a esse santuário. A Acrópolis se tornou um recinto sagrado no século VIII a.C. com o estabelecimento do culto a Palas Atenas.

Os monumentos do templo foram levantados em harmonia com seus cenários naturais. Estas obras-primas da antiga arquitetura reúnem diferentes ordens e estilos da arte Clássica que influenciou a arte e a cultura por muitos séculos, sendo assim um reflexo preciso do esplendor, poder e riqueza de Atenas em seu apogeu, a Era de Ouro de Péricles.

Uma fortificação foi construída ao redor da colina no século XIII a.C., e desse modo a cidade virou o centro da civilização Micênica. O santuário floresceu com Pisístrato na metade do século VI a.C, quando a Panathinaia, o maior festival religioso da cidade foi estabilizado e as primeiras construções monumentais de Acrópolis erguidas, entre eles o chamado “Templo Velho” e de Hekatompedos, o predecessor do Parthenon, ambos dedicados a Atena. Numerosas oferendas, como objetos de mármore, bronze e estatuetas de terracota, eram dedicadas ao santuário. O rochedo sagrado foi dedicado à deusa Atena, mas sua encosta foi ocupada por vários outros cultos. Inúmeras grutas na encosta setentrional foram usadas como santuários e chegou a ter aproximadamente 1 km de comprimento, o qual ocupou todo o caminho de penhascos até a encosta meridional com diversos templos e outros importantes monumentos. 

Imagem aérea do rochedo de Acrópolis

Fonte: odysseus.culture.gr

 

Por: Fabio Fernandes de Lima

God of War

Fonte: omelete.com.br

Os criadores do jogo são David Jaffe e Cory Barlog, que juntos criaram um verdadeiro Mito dos Games. Com uma história de revirar, literalmente, a Mitologia Grega, em God of War I e II você encarna Kratos, um guerreiro extraordinário que vem escrevendo seu nome na história dos games, e é considerado acima de tudo um clássico, apesar do pouco tempo de existência.

Em God of War I e II, Kratos sacudiu o Olimpo, lutou contra diversos deuses e mostrou que essa coisa de deuses trapaceiros maltratando homens é mito do passado (com ele a coisa fica feia do começo ao fim).

God of War III, próximo e talvez um dos games mais aguardados de todos os tempos será a terceira e para desespero de muitos, a derradeira parte da dramática aventura do “Fantasma de Esparta”.

Parte do apelo da série é sua excepcional construção narrativa, capaz de prender os jogadores desde o primeiro momento, tão bem quanto um excelente livro ou filme. Diferente do que muita gente acredita o jogo não tem previsão alguma para seu lançamento, existem apenas rumores de que poderia sair esse ano.

A história dos jogos é pautada na mitologia clássica sendo que esta foi um pouco modificada. Há muito de mitologia grega na trilogia, na verdade há muitas invenções,senão a do próprio personagem Kratos, que num golpe de mestre usurpa o cargo de seu mentor, o grande deus da guerra Ares. E é claro que tudo ocorreu numa batalha épica e sem precedentes (no fim Ares leva a pior), mas como já temos ciência os deuses são muito melindrosos e Kratos acaba sendo traído posteriormente por ninguém menos que Zeus.

Mesmo distorcendo as histórias mais usuais sobre o mito grego, o jogo consegue agregar uma história envolvente com profundidade e ótimo enredo.

God of War foi a grande aposta da Sony no console da geração passada (o Playstation II), e, por sorte, os proprietários desse magnífico console, puderam desfrutar de um dos games mais empolgantes da história do Video Game. É bem certo que o jogo não vá atrair todo tipo de público, mas consegue, sem dúvida, ser uma grande pedida para a grande maioria dos gamers, isso fica claro quando levamos em conta que os dois primeiros jogos da série venderam juntos mais de 6 milhões de cópias, mostrando ao mundo uma nova forma de ação. Sua jogabilidade espetacular elevou a série God Of War ao topo da preferência dos gamers em geral, e ajudou a transformar o Playstation II numa verdadeira febre mundial. Toda a indústria está aguardando ansiosa por essa nova aventura de Kratos. Imaginar as possibilidades de enredo e o poder gráfico dessa versão para o Playstation III deixa qualquer fã do gênero babando.

Confira! Nós aprovamos!

Bard Pitt

Fonte: Omelete.com.br

Por: Fabio Fernandes de Lima

Após encarnar Aquiles no filme “Tróia”, Brad Pitt poderá ser Ulisses numa nova adaptação de “A Odisséia” do poeta grego Homero, que (curiosamente) será ambientada no espaço. O filme será dirigido pelo cineasta australiano George Miller (Happy Feet).

A revista Variety (especializada em notícias sobre cinema), informou a noticia dizendo que a produção poderia ser iniciada ainda em 2009.

A Warner Bros estaria conduzindo a novidade sem grande alarde, já que espera conseguir Brad Pitt como produtor executivo e astro principal e informa que desta vez, porém, não se tratará de um épico do tipo “sandálias e espadas”, mas uma ficção científica espacial (só não será possível dar o nome de “Uma Odisséia no Espaço…”), apenas inspirada na história do herói Ulisses em sua jornada de volta para casa, posterior a Guerra de Tróia.

Havia outro projeto tomando como base a Odisséia que supostamente estaria em produção, mas desde 2004 não se fala a respeito do filme.

  Por: Quezia J. Fernandes e Sarah E.G. de Araujo

A dica desse mês vai para duas trilogias gregas e uma peça teatral. A primeira trilogia é sobre um dos mitos gregos mais conhecido e discutido de todos os tempos. A outra trilogia trata-se da reunião de três tragédias gregas clássicas. Por fim, temos em cartaz a peça “Safo”, encenada pela companhia teatral Satyros.

A Trilogfia Tebana

Fonte: Livraria Cultura

No livro “A Trilogia Tebana”, encontramos reunidas três grandes histórias contadas pelo dramaturgo Sófocles: Édipo Rei, Édipo Em Colono e Antígona.

Édipo Rei é história de um rei que tenta (sem resultado) fugir de seu estranho e fatídico destino previsto por um vidente cego Chamado Tirésias.

Édipo em Colono é (de acordo com os estudiosos do assunto) a última tragédia escrita por Sófocles, que narra a velhice complicada e os infortúnios de Édipo diante da ambição que vem destruindo o poder e o domínio de sua família em Tebas, cidade que o baniu e agora o requer como herói.
 Antígona, por sua vez, conta a história e drama da única filha de Édipo que não o abandonou.

Três Tragédias Gregas

Fonte: Livraria Cultura

A outra dica de leitura, “Três tragédias gregas”, conta as histórias de Antígone, filha que Édipo teve, sob circunstâncias alarmantes, Ajax tido como um dos mais fortes e habilidosos guerreiros gregos depois de Aquiles e Prometeu Prisioneiro, que mostra o castigo que Prometeu recebeu por ter roubado o fogo dos deuses, em favor dos seres humanos. A obra sobre Prometeu é a mais conhecida, no entanto, a sua autoria é atribuída a Ésquilo, já que Antígone e Ajax são ambas obras de Sófocles.

 
 
 
Patricia Vilela

Fonte: Laercio Késsimos

 
No espetáculo “Safo”, de Ivam Cabral, interpretada por Patricia Vilela, e dirigida por Silvanah Santos, apresenta-se, Safo é uma mulher moderna (bailarina), que vive em São Paulo, num apartamento na Avenida São Luiz. Perto dali, conhece Átis, que se tornará o seu grande amor. O espetáculo que foi livremente inspirado no poema “Safo ou o Suicídio”, de Marguerite Yourcenar e também na obra de Virginia Wolf, estreou no dia 16 de setembro, e ficará em cartaz até 26 de novembro de 2009. 
A peça mistura elementos contemporâneos e de época com recursos sonoros e visuais, resultando num híbrido de linguagens que se justifica na medida em que Safo era, para o seu tempo, uma artista-pedagoga de múltiplas linguagens. Em sua escola, as jovens aprendiam dança, poesia, música, etc. A trilha sonora é trabalhada com elementos pop em um desfile de vozes e expressões femininas.